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sábado, 3 de janeiro de 2009
O Texto dramático
Para o estudo de Frei Luís de Sousa
Clique no link abaixo apresentado:
http://faroldasletras.no.sapo.pt/frei_luis_de_sousa.htm
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O Sebastianismo em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett
Almeida Garrett, escritor de características arcádicas e românticas, do início do século XIX, é autor de algumas das obras fundamentais da Literatura Portuguesa, entre as quais Viagens na Minha Terra é o expoente máximo. Trata-se de um olhar crítico da sociedade portuguesa, com descrições deliciosas sobre a nobilitação de muitos burgueses que outrora haviam desdito das práticas da Nobreza e, afinal, acabaram por conhecer o mesmo fim...
Em Frei Luís de Sousa, o mito sebastianista está bem presente. A história da peça aborda uma autêntica catástrofe que se abateu sobre a vida de uma família nobre do final do século XVI. Tem como característica peculiar o facto de todas as personagens assumirem, ao longo do enredo, posições coerentes e de uma grande dignidade, pelo que é difícil definir quem é a personagem principal, da mesma forma que, no final, perante tão graves consequências de toda a tragédia abatida, surge no leitor uma sensação de profunda injustiça.
De uma forma resumida, o enredo é o seguinte: D. João de Portugal, um nobre muito respeitado na sociedade, desapareceu, em 1578, na batalha de Alcácer Quibir, por sinal a mesma na qual o rei D. Sebastião perdeu a vida.
Contudo, a morte de D. João de Portugal nunca foi provada, passando-se exactamente o mesmo com D. Sebastião.
Entretanto, a mulher de D. João de Portugal, D. Madalena, esperou sete anos pelo marido, uma espera que se revelou infrutífera. Pese ter casado com D. João de Portugal a meio da peça, o leitor dá-se conta do facto de ela nunca o ter amado verdadeiramente.
Entretanto, a mulher de D. João de Portugal, D. Madalena, esperou sete anos pelo marido, uma espera que se revelou infrutífera. Pese ter casado com D. João de Portugal a meio da peça, o leitor dá-se conta do facto de ela nunca o ter amado verdadeiramente.
Pelo contrário, o homem que amava era Manuel de Sousa Coutinho, um português fiel aos valores patrióticos e inconformado com o domínio espanhol, que se vivia na altura em Portugal (1599).
Tomando uma atitude corajosa, Manuel e Madalena vão desafiar a sorte (hybris), casando sem ter a certeza da morte de D. João de Portugal. E aí começa a verdadeira dimensão trágica desta peça magistralmente gizada por Garrett: realmente, tudo apontava para uma alta improbabilidade da hipótese de D. João de Portugal ainda estar vivo e mesmo a sociedade via com bons olhos o casamento entre Manuel e Madalena.
Tomando uma atitude corajosa, Manuel e Madalena vão desafiar a sorte (hybris), casando sem ter a certeza da morte de D. João de Portugal. E aí começa a verdadeira dimensão trágica desta peça magistralmente gizada por Garrett: realmente, tudo apontava para uma alta improbabilidade da hipótese de D. João de Portugal ainda estar vivo e mesmo a sociedade via com bons olhos o casamento entre Manuel e Madalena.
O casal teve uma filha, D. Maria de Noronha, uma jovem muito especial, culta, adulta, mas simultaneamente criança e fisicamente débil.
Ora, aqui surge o grande drama da acção: caso D. João de Portugal, por uma possibilidade trágica, ainda estivesse vivo, Maria era uma filha ilegítima, o que, para a sociedade da época, era um pecado muito grave.
Temendo a catástrofe, D. Madalena tem constantemente premonições trágicas, as quais vão ser concretizadas com a chegada de um Romeiro, que diz vir da Terra Santa e querer falar com Madalena.
Temendo a catástrofe, D. Madalena tem constantemente premonições trágicas, as quais vão ser concretizadas com a chegada de um Romeiro, que diz vir da Terra Santa e querer falar com Madalena.
Ao revelar a sua identidade, uma série de consequências irão advir.
Mostrando uma dignidade tocante, Manuel de Sousa Coutinho rende-se ao destino cruel e vai professar, juntamente com Madalena.
Maria, a filha, revoltar-se-á contra uma sociedade retrógrada que, por uma questão meramente formal, passou subitamente de aprovadora para acusadora: «Vós quem sois, espectros fatais?... Quereis-mos tirar dos meus braços?... Esta é a minha mãe, este é o meu pai... Que me importa a mim com o outro, que morresse ou não, que esteja com os mortos ou com os vivos...»
De nada lhe valeu a revolta, antes pelo contrário. O seu rótulo de ilegítima custar-lhe-á a morte por vergonha.
Outros aspectos igualmente interessantes poderiam ser referidos e ajudariam à compreensão desta magnífica peça, nomeadamente o papel de Telmo Pais. Todavia, importa realçar que por toda a obra perpassa um carácter sebastianista
Outros aspectos igualmente interessantes poderiam ser referidos e ajudariam à compreensão desta magnífica peça, nomeadamente o papel de Telmo Pais. Todavia, importa realçar que por toda a obra perpassa um carácter sebastianista
Síntese esquemática da obra

Clique no link, abaixo apontado, para ver uma síntese esquemática da obra:
http://www.exames.org/apontamentos/Pt/port_sintese_esquematica_frei_luis_de_sousa_ricardofski.pdf
Frei Luís de Sousa - A Estrutura

A ESTRUTURA DA OBRA
CARACTERÍSTICAS DA TRAGÉDIA CLÁSSICA:
1- Efeitos sobre o público: inspirar sentimentos de terror e piedade.
2- Características gerais:
2.1. Personagens de alta estirpe (social ou moral).
2.2. Presença de um coro: conjunto de personagens que não intervêm directamente na acção e cuja função é comentar determinados momentos da acção, à medida que esta se vai desenrolando.
2.3. Lei das três unidades:
- unidade de acção - a intriga deve ser simples, sem acções secundárias, de modo a evitar a dispersão, aumentando assim a tensão dramática;
- unidade de espaço – toda a acção dever-se-ia desenrolar no mesmo espaço;
- unidade de tempo - a duração da acção dramática nunca deveria exceder as 24 horas.
2.4. Estrutura tripartida da acção:
- Exposição - apresentação das personagens;
esboçar do conflito ligado a um mistério na origem das personagens, mistério provocado pela força oculta do Destino o qual se revela através de indícios, que apontam para um desfecho trágico e para o desvendar do mistério inicial.
- Progressão dramática – desenvolvimento do conflito que se encaminha para um clímax (pathos – ponto culminante da acção trágica) em que se desvenda o mistério, ligado a uma relação de parentesco oculta (reconhecimento/anagnórise);
- Desenlace/Catástrofe – o fim das personagens é sempre a morte (física, social ou afectiva).
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